domingo, janeiro 08, 2017

A comissária de bordo

A comissária de bordo 

Até agora não entendi o motivo da implicância da loira comigo. Foi a primeira vez voando pela Air Canada – e tinha criado altas expectativas, estava voltando da Costa Rica para a Espanha, com um layover de 7 horas, em Toronto.  

Eu estava num bom humor absoluto, mas sem incomodar ninguém - na verdade, acho que só eu sabia da alegria que borbulhava dentro de mim. Alegria pelas férias relaxantes, pelo sol, sal, calor, mar, pela quebra do inverno europeu, pela energia "pura vida" costarriquenha, pela noite muito bem dormida. 

Eu estava tão relaxada – e bronzeada, diga-se – que esqueci de fazer o check in on line para escolher os assentos e acabou que eu e o Duncan sentamos separados. Descobrimos pelos bilhetes que estávamos a duas filas de distância. "Não tem problema, pedimos pra trocar" - eu disse, ainda sem saber que nada tiraria meu estado de alegria, nem mesmo descobrir que não tinha uma televisão pra entretenimento, que o Duncan não carregou o computador pra que eu pudesse me distrair, pelo fato de um espanhol ficar colocando os joelhos no meu bumbum porque o espaço pras suas pernas era pequeno, pelo fato de eu ter esquecido dentro da mala os fones de ouvido do telefone (que  cabem um especial) - bom, nesse caso, eu até disse: "Opa! Eu disse que iria ler mais, aproveito e uso essas 4 horas e 35 minutos pra terminar meu livrinho querido".  

O problema mesmo surgiu quando a comissária passou a me dar "bundadas" no ombro em todas as vezes que passava pelo corredor. Ela sabia que tinha me "quadrilzado", olhava com desdém e passava reto. "Essa tá longe do meu nível de humor", pensei sorrindo.  

Perdi a conta de quantas vezes ela repetiu. Umas mais fortes, outras mais fracas. Eu me recolhi, mesmo com uma senhora dormindo quase em cima de mim, do outro lado, e tentei não dar espaço pra ela me bater. Bobinha... quando ela veio com o carrinho de bebidas, ela me bateu com o cotovelo. Não muito forte, mas me incomodou – e eu só queria ler meu livrinho em paz. Falando em paz, eu nem pedi água, nem aceitei a comida, tudo isso pra não incomodar mais a moça. Ela vinha trazendo o carrinho de costas e falava um inaudível "watch your sholder". Quando ela continuou andando, dei uma sorriso esperando ansiosamente pelo "sorry" que nunca chegou.  

Fiquei pensando no que eu posso ter feito pra despertar tamanha empatia (haha), mas, sem encontrar nenhuma resposta, continuo com meu David Sedaris que me ajuda ainda mais a aumentar a felicidade interna e gargalhar em pensamento (se nunca o leram, leiam!). Quando estava no meio de um conto, ela derramou ÁGUA em mim e no meu livro. Eu nem me importei com a água, eu só queria o tão esperado pedido de desculpas. "Oh GodLet me bring you a towel". Não, não teve sorry 

Nessa hora, além do meu medo normal de morrer em cada voo, tinha aquela pessoa ali com ódio de mim e que com certeza me escolheria a ser jogada do avião voando caso a porta de emergência arrebentasse e eles precisassem escolher alguém pra salvar todo o resto (ou qualquer situação que faça mais sentido que esta minha invenção de porta de emergência arrebentando – como podem ver, sou uma profunda conhecedora de aviões e situações de emergência).  

Nem em Deus eu acreditava pra rezar pra que aquele voo terminasse logo e agora estava ali, economizando as páginas do meu livro-metade-água e levando bundadas a cada 10 minutos.  
As 22:40, sairia meu voo para Barcelona e eu só esperava MESMO que não fosse a mesma tripulação. No momento em que eu pensava sobre isto, começou a aterrissagem e uma turbulência gigante começou. Foi a pior bundada de todas. Dela e de mais 3 comissárias, juntando com o pavor de morrer. 

Bom Voyage 

Atualização: Air Canada eleita como a pior companhia aérea que voei. O voo de Barcelona foi péssimo, isso porque eu dormi quase todo. Comida, serviço, calor. 


sexta-feira, junho 29, 2012

Tem dessas


Outro dia parei no meio de uma epifania que talvez possa nunca mais voltar. Era um sábado à noite e depois de um dia todo grudados até na corrida, pegando um sol e inventando novas receitas de húmus, Baco (ou Dionísio) chegou. E a Epifania foi interrompida pra dar lugar à atenção ao companheiro de todas as horas. 

Era de noitinha e o sábado mal tinha começado e eu já sentia falta dele. O sábado começando e o desejo forte de que ele não terminasse era grande. Pra que mesmo?

Nuns vinte e muitos anos, finalmente encontrei. Não o melhor companheiro e cúmplice porque ser “o melhor” é quase o mesmo que definir qualidade. Relativo. Então, sendo uma questão de percepção, digo por mim e mais ninguém, o meu melhor companheiro e o meu melhor cúmplice. Chegou, assim, mesmo sendo cliché, sem avisar. Chegou e demorou, para os dois, que algo pudesse ser realmente o que tem sido pela história de vida de cada um.

Adaptação aos novos prazeres, que são, mais que nada, mais do outro do que o teu próprio. Uma vontade incontrolável de ser melhor e querer sempre mais. Uma coisa tão boa de sentir que até se confunde com medo; e digo pela Capitu e Machado de Assis em toda a história nos fazendo descobrir junto com Bentinho que “amar traz também o medo”. O medo de acabar, o medo do outro se machucar, o medo da saudade, ainda que a saudade seja sabendo-se onde, como e quando.

Amar tanto que dói. Achei que essa era uma afirmativa de pais falando sobre os filhos e não de amores amantes e amados. Lembro muito bem do meu pai me contando que quando eu nasci, ele acordava todas as noites pra ouvir meu silencio dormindo no berço, colocando seu ouvindo no coração da pequena Mayra para saber se ela respirava; tão pequena e tão indefesa naquele novo mundo. Sim, eu, um dia em minha vida, fui a calmaria, a que dormia mais de 8 horas por noite, mesmo sendo um bebê com cabeça de “cupuaçu”.

Nesse sábado de dias grudados querendo virar um, começava o “de noitinha” e e eu pensei na “Insustentável Leveza do Ser”. Não tanto pela obra ou pelo autor, mas pela sensação que aquele livro me trouxe. Eu era bem mais nova quando o li pela primeira vez e aquela sensação de economizar pra não não terminar estava ali de novo. Sabes quando amas muito um livro que inclusive o escondes para não terminar de tanto que te toca? Naquele sábado, não foi por Kundera. Naquele sábado, foi pelo amor.

E amor pra mim não significava assistir juntos ao futebol depois de ter pegado sol lendo clássicos, o amor pra mim era uma união de tudo, dos livros, da vontade de ser melhor, de montar “a mesa” no chão tomando Bordeaux, do sexo, do entendimento, da cumplicidade, de toda a verdade e de, sobretudo, toda a diversão do mais famoso “se bastar” em dupla. O amor pra mim foi a união disso e de mais um milhão de coisas que eu poderia imaginar compartilhando vida.


Hoje fico pensando no antes e abro um sorriso. O amor tem dessas… E o nome do meu é Duncan.

domingo, abril 22, 2012

Memória?
Ultimamente não tenho tido memória pras coisas desagradáveis (Como muitos). Diferente dos pessimistas, que ainda latejam e se lembram muito bem de todo o ruim que lhes aconteceu.

Seria mais útil, em muitas vezes, fazer as coisas sem ter nenhuma lembrança de como aconteceram pela primeira vez. Seguramente, mais inovação seria arriscada se não houvesse memória. O ser humano tem a tendencia de se conformar com o que foi feito e deu certo, deixando de lado o risco que poderiam experimentar com o "novo".

Minha inclinação ao revés me faz pensar que posso ser completamente analfabeta, lendo só a forma de tudo, sem pensar no sentido que há atrás do nome formado com letras do alfabeto.

Risco. Arrisco. Mudo.

quarta-feira, março 21, 2012








Lado esquerdo:




“Eu sou hemisfério esquerdo. Eu sou um cientista. Um matemático. Eu amo o que reconheço. Eu classifico. Eu sou exato. Linear. Analítico. Estrategista. Sou prático. Sempre no controle. Um mestre das palavras e linguagem. Realista. Eu calculo equações e brinco com números. Eu sou a ordem. Eu sou lógico. Eu sei exatamente quem eu sou.”

E do outro lado:

“Eu sou hemisfério direito. Sou a criatividade. Um espírito livre. Sou paixão. Sou saudade. Sensualidade. Eu sou o som de gargalhadas. Eu sou o gosto. A sensação da areia nos pés descalços. Sou movimento. Cores vivas. Sou o anseio de pintar a tela em branco. Sou a imaginação sem limites. Arte. Poesia. Eu percebo. Eu sinto. Eu sou tudo o que eu queria ser.”

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Simples

Ser simples é uma das coisas mais difíceis. O ser humano tem muita tendência a complexidade.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Concessão não é privatização!


Concessão não é privatização

Tucanos usaram a tribuna do Senado nesta terça-feira para atacar o PT e afirmar que o partido "enterrou" uma de suas maiores bandeiras: a luta contra a privatização.(Na Folha)

Álvaro Dias (PSDB- PR), disse :"O PT acabou. Com as suas bandeiras foi sepultado."É a confissão de incapacidade administrativa do governo de realizar obras ...".Pelo visto,o senador pensa o mesmo de FHC, que privatizou o país...

E a mídia não faz a mínima questão de diferenciar “privatização” de “concessão”, não é mesmo? O governo Dilma está ganhando para EMPRESTAR os aeroportos, enquanto a gestão FHC/PSDB não ganhou nada para VENDER estatais de expressão como a Vale.

Não adianta tapar o sol com a peneira: A presidente Dilma Roussef deu um baile no processo de concessão de uso de aeroportos. Foi uma vitória e tanto, e justamente num campo em que boa parte do tucanato se considera imbatível, a “qualidade gerencial”.

Privatização x Concessão

Vamos e venhamos, levar a discussão para esse lado é tudo que resta aos detratores sistemáticos do Governo Dilma. Ficam naquela de “Ahá! Privatizou!” e a discussão, que é 100% técnica, se torna ideológica. Ridículo.

Claro que concessão não é privatização.

Conceder não é “vender” uma propriedade estatal, mas sim permitir que uma empresa privada explore determinado patrimônio, com obrigação de efetuar melhorias, sendo que o Estado continua titular do bem. Simples assim.Ok Álvaro Dias?

Vamos destrichar o caso?

Vamos dar um exemplo: O aeroporto de Congonhas é do governo do estado de São Paulo. Adquirido pelo governo do Estado em 1936. É operado pela INFRAERO, mas NÃO é aeroporto federal. E NÃO foi vendido!

O que é uma concessão?

Concessão é a delegação sob contrato, à iniciativa privada, da administração de um serviço prestado tradicionalmente pelo Poder Público, por um determinado período e sob condições por ele controladas, incluindo qualidade do serviço e tarifas.

O que é privatização?; Privatizar é tornar privado, transferir do estado para o particular

José Serra (PSDB) e Elena Landau vendendo a Vale. Isso é Privatizar Como se sabe, a Vale do Rio Doce foi vendida por US$3,2 bilhões. Esse valor corresponde ao lucro da empresa em apenas um semestre. Atualmente, seu valor no mercado é de US$196 bilhões, ou seja, entregaram de graça um patrimônio público.Quem fez isso não pode ser a favor do Brasil.

Privatização é o processo de venda de uma empresa ou instituição do setor público - que integra o patrimônio do Estado - para o setor privado, geralmente por meio de leilões públicos.Um exemplo: No Brasil, na década de 1990, durante o governo do ex presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), várias empresas estatais foram privatizadas, vendidas, doadas, como por exemplo: Telesp, Companhia Vale do Rio Doce, Banespa entre outras.

Na foto acima, José Serra comemora a venda da Light. Isso é privatizar

Na foto acima, José Serra aparece batendo o martelo durante a venda da companhia de eletricidade, a Escelsa, em 1995. Isso é Privatizar

Qual a diferença entre privatização e concessão?

Na privatização o Poder Público vende o controle sobre as ações da empresa privada, já na concessão nada é vendido, o planejamento e a regulação continuam por conta do Poder Público.

Definição na Wikipédia

"Concessão pública é o contrato entre a Administração Pública e uma empresa particular, pelo qual o governo transfere ao segundo a execução de um serviço público, para que este o exerça em seu próprio nome e por sua conta e risco, mediante tarifa paga pelo usuário, em regime de monopólio ou não

A Concessão pública difere-se da permissão porque esta consiste em ato unilateral, precário e discricionário do Poder Público. De acordo com o artigo 175, da Constituição Federal, "incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos"

Resultados

Claro que precisamos aguardar alguns anos para saber se, na prática, esse modelo dará certo ou errado. Em termos técnicos, deu certíssimo. O procedimento licitatório foi um sucesso e teoricamente a expectativa é otimista.

Além disso, caso haja algum tipo de contratempo, é preciso ver se a ‘culpa’ é do modelo de leilão/contrato ou se houve algum problema circunstancial - que independe da forma como foi realizada a licitação.

Por ora, cabe dar os parabéns à presidente Dilma Roussef, que demonstrou um “talento gerencial” que vai muito além daquele arrotado pelos tucanos de plantão.

terça-feira, fevereiro 07, 2012

The New Black

E então essas pessoas que ainda dividem o mundo entre os do "bem" e os "do mal pararam no tempo dos contos de fada.

Vão ler Freud...


domingo, fevereiro 05, 2012

On the road

Lendo e encontrando-se. 
Aquele tipo de leitura que traz de volta o sentir-se em casa, o ser profundamente compreendida.

... porque as únicas pessoas que me interessam são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, que querem tudo ao mesmo tempo, aqueles que nunca bocejam ou falam chavões... Mas queimam, queimam como fogos de artifício pela noite. 


Time may (might) change me.


É preciso sonhar, mas com a condição de crer em nosso sonho, de observar com atenção a vida real, de confrontar a observação com nosso sonho, de realizar escrupulosamente nossas fantasias.
Sonhos, acredite neles.


sábado, setembro 10, 2011





Pra quem tem coração partido, pra quem tem alegria transbordando, pra quem angustia por não sentir nada, pra quem traiu, pra quem foi traído, pra quem só vê beleza e poesia, pra quem ama desmesuradamente, pra quem pulsa, quem odeia, quem chora, quem gargalha; pra quem anestesia com a dor. Ou com a felicidade. Para aqueles que o coração está quase saindo pela boca, para os ofegantes, revolucionários e censurados. Pra quem nem entende nada. Pro mundo! Pra sempre, pra que acalme, pra que atormente, confunda. Pra estes que veem o mais profundo e livre em si. Pra todas as horas, pra se embriagar de amor e poesia, com a melhor certeza de que não existirá ressaca pós-porre de Chico.

www.chicobuarque.com.br





http://www.youtube.com/watch?v=84mp0RAeN6Q&feature=feedrec


quarta-feira, junho 15, 2011

Então, de todo amor não terminado seremos pagos em inumeráveis noites de estrelas.
(maiakovski)

sábado, junho 11, 2011

Shopenhauer e amor

Mas como um filósofo de vida amorosa tão desastrosa poderia ter algo a nos dizer sobre o amor? Pra começar ele dizia que o amor não é um assunto banal, que não devemos vê-lo como distração de assuntos mais sérios ou adultos (o amor é importante, PORRA hahaha). Não é por acaso que se trata de um sentimento tão avassalador , capaz e tomar conta da nossa vida e de todos os momentos do nosso dia. Shopenhauer diz que não devemos nos culpar tanto pelo estado de desespero e obsessão em que entramos se o amor fracassa. Ficar surpreso com a dor da rejeição é ignorar o quanto de entrega a aceitação exigiria (Essa parte eu escrevi e grifei). "Nada na vida é mais importante que o amor porque o que está em jogo é a sobrevivência da espécie"

quinta-feira, junho 09, 2011

Life is art.

I think everything in life is art.

What you do. How you dress.
The way you love someone. The way you talk.
Your smile and your personality.
What you believe i and all your dreams.
The way you drink. Your tea.
How you decorate your home. Or party.
Your grocery list. The food you make.
How your writting looks. And the way you feel.

Life is art!

domingo, junho 05, 2011

VISCA BARCELONA


E ela chegou assim, de repente, sem avisar. Ou se tentou avisar em algum inverno bem rígido enquanto eu vivia em Paris, não dei ouvidos.
Talvez de longe eu ouvisse a voz dela, no fundo: Se vieres para cá, teu inverno pode se tornar primavera. Não fui, não fui.  Não fui por pura tolice porque sempre tive o péssimo costume de contrariar as pessoas.
Mas também sei ceder e depois de tamanha insistência, fui. E não é que fui chegando, sentindo, vendo e ela tinha razão! Vivi o inverno mais primaveril de minha vida. Barcelona é assim: chega, te seduz como se não quisesse seduzir, te encanta. Te mostra arte, cultura. Moderno, novo. Contemporânea, medieval. Nesse querendo-não-querendo, te mostra no caminho tendências dentre as galerias de arte a meio fio. Mostra moda.
Ela chega e te surpreende com sua arquitetura. Ela, tão cosmopolita, te surpreende com o que te faz sentir. E, no meio de tudo isso, ainda tem a praia e o mar mediterrâneo.
Essa abstração total que chamamos de Barcelona, para mim, é uma figura quase humana e eu estabeleci com ela uma ligação de cumplicidade enorme; Barcelona conheceu meus segredos mais profundos, Barcelona me viu chorar de pura tristeza, me acolheu dentro das noites de solidão única, escutou minhas mais altas gargalhadas em cada uma de suas esquinas, Barcelona me despertou uma felicidade clandestina que eu nunca havia experimentado na vida. Barcelona simplesmente me apresentou à mim mesma.
No embasbacador universo modernista, onde Gaudí está por toda parte com alguns outros artistas catalães como Lluís Domènech i Montaner, quem conhece outras cidades da Europa se comove com Barcelona pela modernidade da “coisa”. Ou modernidade da “cor”. Barcelona te transforma. Barcelona te pulsa. E o pulso…
Encontramos também outros ícones igualmente atraentes e culturalmente fantásticos: Dalí, Miró e Picasso.
Dois mil anos de história. Aberta a inovações. Acolhedora, caliente,plural. Diversa! Em Barcelona os idiomas oficiais são o catalão e o castellano. As duas línguas coexistem num bilinguismo parecido à outras regiões do mundo.

Eu compreendo que nenhuma cidade pode ser comparada à outra, Barcelona encabeça a regra. Capital da Catalunha – uma comunidade autônoma – Barna é a que menos se sente e, logo, se expressa espanhola. Não só pelo idioma, mas por serem altamente “nacionalistas”, separatistas.
E também pela economia e turismo que Barcelona possui. É notória a rivalidade entre Barcelona e Madrid – a capital do país – e assim compreendemos que em tudo e POR TUDO, as diferenças vão muito além de simples rixa. Para mim, em termos de riqueza cultural, a Espanha é um dos países mais interessantes e, Barcelona, na minha opinião, está entre as 5 cidades mais absurdas (no sentindo maravilhoso da palavra) de todo o mundo.
Em Barcelona não se encontram aquelas “espanholices” mais típicas como mulheres vestidas com trajes tradicionais andaluzes e todos os adereços correspondentes (castanholas e leques, etc), nem os chapéus de toureiro e os belíssimos “cavalos andaluzes”, assim como também não encontrarás os touros de Miúra, mas encontram-se  os saborosos azeites extra virgens e a estupenda culinária espanhola, encontram-se as cores espanholas como num filme de Almodóvar.
Na minha opinião, aqui existem dois pontos mais altos. Um seria a riquíssima arquitetura que vai do gótico ao modernismo – tão proximamente quanto duas calçadas da mesma rua – e especialmente este que tem toda a sua personalidade admirada em BCN e ainda mais forte nas mãos de Gaudí e sua arquitetura completamente orgânica que, sinceramente, acho difícil ser encontrada em qualquer outro lugar do planeta. E o segundo é a beleza natural da cidade e o mediterrâneo para completar, fazendo casal com o céu mais azul que já vi em vida e que, eu mesma denominei (nada orginal) azul-barcelonès.
Barcelona te encanta de uma ponta a outra. Barcelona cheia de tapas, sangrias, festas. Pode também ser uma Barcelona pacata, calma e azul.
Barcelona é camaleão. Barcelona é adaptável. Barcelona não pode permitir definição.

quinta-feira, maio 26, 2011

Mistifório: A Carta da Saudade Escolhida

Mistifório: A Carta da Saudade Escolhida: "Meus caros amigos, Passada a dor do reencontro – é, porque reencontrá-los, mas ter que deixá-los tão rapidamente dói de verdade –, estou pr..."

quarta-feira, março 16, 2011

Existe alguma coisa entre nós: uma vontade mútua de não sermos cinzas. Van Gogh nos borrou de verde-água, e agora nos reconhecemos, apesar da multidão.

Rita Apoena e Eu.



"— E você, por que desvia o olhar?


(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)


— Ah. Porque eu sou tímida"

segunda-feira, março 07, 2011

Passou o aniversário. Chegaram as sugestões pros presentes não ganhados




Amor.  Girassóis. Céu azul. Cheiro de chuva. Declarações pela madrugada silenciosa. Sinceridade. Gargalhos de bebê. Um barquinho de papel. Um papagaio entre o céu e as nuvens. O sabor do mar. A música por trás dos ruídos. Bolinhas de sabão. O som das gotas no chão. Um sorriso tímido. Os olhos com cores de esperança. Confiança a olhos vendados. Um coração encostado no outro. Um ou dois "pra sempres". Um livro de poesia. Dormir agarradinho. Viagem de fim de semana. Ler na rede da varanda. Uma sopinha bem quentinha. Um par de meias de bolinhas. Um ou dois cata-ventos. Felicidade clandestina. Uma palavra inventada.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Sinceridades.



- Tu és bonita, mas tua irmã é mais.

- Não obrigada, não é nem pelo fato de estar satisfeita. É que a torta de batata não está com um gosto muito bom.

- Não quero alguém do teu tipo namorando a minha filha.

- Se quiseres ficar, pode ficar, mas saiba que ninguém aqui vai com a tua cara.

- Ahhh, sim! Eu li o teu livro. Mas não gostei muito e nunca me daria ao trabalho de reler.

- Dá pra falares um pouco mais de longe. É que o teu hálito não está nada bom. 

- Tu sabes que não te amo, não te quero, portanto pare de me torrar a paciência e saia do meu pé!

- Tu estás gorda, tu sabes. Admita!

- Eu adoraria que tu não viesses mais aqui. 

- Tu sabes que esta não foi a primeira vez e nem será a última. Teu filho usa esse tipo de coisa desde o colégio.

- Se quiser esquecer o número do meu telefone, eu agradeço.


- Dá pra parar de falar? Só sai bobagem, é impressionante.

- Não quero inventar desculpas, mas é que não estou a fim de você.

-  Seria mais fácil me falar o que queres e não chegar aqui com essas desculpas pra chamar a atenção.


- Será que não consegues entender que este teu discurso está ultrapassado?


- Cala essa boca e me beija!

(…)


terça-feira, fevereiro 15, 2011

Be yourself. Everyone else is already taken.

Atenção: existem duas solidões absolutamente diferentes...

Existe aquela que é intrínseca ao "ser" e que, enquanto não descoberta e aceita, provoca muita confusão e vazio; gera inclusive a outra, a má solidão.
Esta segunda é justamente o medo de estar sozinho, o medo de se encarar, enfrentar, descobrir. É o estar se preenchendo de qualquer coisa só para não sentir-se a si próprio.

A primeira é fortaleza e maturidade; a segunda é abandono.

sábado, fevereiro 12, 2011

L'amour???

O beijo é a assinatura de um homem. (Mae West)
Nada nelhor para a saúde do que um amor correspondido. (Vinicius de Moraes)
Falais baixo se falais de amor. (Shakespeare)
Amor é a asa veloz que Deus deu à alma para que ela voe até o céu. (Michelangelo Buonarroti)
Ninguém vale nada enquanto não foi amado. (Tennessee Williams)
Quando fala o amor, a voz de todos os deuses deixa o céu embriagado de harmonia. (William Shakespeare)
No fundo de cada alma há tesouros escondidos que somente o amor permite descobrir. (E. Rod)
A expectativa me faz sentir vertingens. (Shakespeare)
Fica-se muito louco quando apaixonado. (Sigmund Freud)
Amor é privilégio dos Maduros. (Drummond de Andrade)
O verdadeiro amor nunca divide:uma lealdade. Dois corações num leito, sem maldade (Shakespeare)
O amor é a poesia dos sentidos. Ou é sublime, ou não existe. Quando existe, existe para todo o sempre e aumenta cada vez mais. (Balzac)
Pelo olhar entender é o segredo do amor. (Shakespeare)
O amor é a força mais sutil do mundo. (Mahatma Gandhi)
Amar é mudar a alma de casa (Mario Quintana)
Porque onde tu te encontras, o universo todo está. (Shakespeare)
Diante da vastidão do tempo e da imensidão do espaço é uma alegria para mim compartilhar uma época e um planeta com você. (Carl Sagan)
O amor é fumaça formada pelos vapores dos suspiros. (Shakespeare)
É o amor, que mexe com a minha cabeça e me deixa assim. (Zezé di Camargo - hahaha piada, claro :))

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Vejo beleza em tudo o que é lugar



"A novidade é o único critério de toda a obra. Se não se acredita ter visto qualquer coisa nova, ou ter qualquer coisa nova a dizer, porque se escreveria, pintaria, teria uma câmera na mão? O novo é sempre o inesperado, mas também se torna eterno e necessário."
Gilles Deleuze

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

É quase delicado. E também absolutamente sutil.

Numa interpretação de fragmentos de um discurso amoroso:

Eu escrevo pra mim e pro mundo, mas, na verdade, essas palavras têm direção e destino.

Porque no final das contas, todas as conversações, todas as palavras e todos os fragmentos - no discurso amoroso - consistem em dizer alguma coisa para alguém.

Atenas e a solidão escolhida.

Como andar pela primeira vez em ruas de cidades desconhecidas, perder-se é encontrar-se. Ao mesmo tempo que te perdes pelo desconhecido, te encontras na tua melhor essência.

Viajar sozinha é isso pra mim, um vício. Além de partir para o desconhecido, como Sabina tinha tanto amor como eu, é uma busca incessante de ti mesma.

Andar em pleno outono e no meio de uma chuva tórrida por jardins nacionais em Atenas. Um deserto humano e um mundo de natureza. Ao mesmo tempo solidão escolhida, ainda bem, e a melhor companhia de todas. Tu mesma!

O delicioso encontro comigo mesma veio com toda a força num inverno rígido, cinza e chuvoso. E, depois de se trancar na toca de si mesma, veio a primavera que me ensinou a renascer como suas flores. Nunca ninguém disse que seria fácil, mas eu percebi o que valeria a pena.

Mas o necessário cultivo de tomar uma xícara de chá de si mesmo por dia faz bem à saúde e te faz enxergar um pouquinho mais do mundo que carregas dentro de ti.
Não te deixa esquecer, te reconheces em cada partezinha degustada.

Sair da rotina louca, da roda viva e deixar entrar no mais camuflado em ti. Seja em pensamentos ou até vozes, quando, sem querer, exteriorizas alguma ideia. Falas sozinho de tão acompanhado que te sentes contigo.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

De resto, recorro a Gide: "Ser me ocupa bastante."


O amor te faz mais preciso:
vulnerável, porém radioso.

domingo, fevereiro 06, 2011

Que cara é essa, amor?

Cara de quem tenta acertar sempre e mesmo assim erra,
Cara de grega, etrusca, asteca, bizantina,
Cara de quem já viveu tanta coisa e aprendeu quase nada,
Cara de apaixonada, assustada, desafinada, emaranhada, despenteada,
Cara de quem mergulha todo dia no desejo, no sentimento, na felicidade,
Cara de quem encara a rotina e tira prazer dela,
Cara de quem olha pra cima e se desprende ao vento,
fiel à queda, rápida e branda.
Cara de quem está longe, na eternidade da água,
sobrevivendo teu movimento…

Cúmplices.



Cúmplices.


Eu amo essa palavra.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Cortázar

"Es increíble que hace doce años
cumplí cincuenta, nada menos.
¿Cómo podía ser tan viejo
hace doce años?
...

 
Ya pronto serán trece desde el día
en que cumplí cincuenta. No parece
posible. El cielo es más y más azul,
y vos más y más linda.
¿No son acaso pruebas
de que algo anda estropeado en los
relojes?"

domingo, janeiro 30, 2011

Meu Hai Kai.

Sabe aqueles professores que te fazem viajar pelo mundo, encantar-se com cada classe, com cada descoberta? Daqueles que sobem na mesa pra declamar uma poesia e te entorpecem com a melodia da voz? Cada aula era tão prazerosa que todas as as outras do dia se ofuscavam.

Eu tive um professor assim, o Rodrigo.

Há alguns dias, retomei o contato com ele graças às redes sociais e um elogio citando um poeta é mais elogio. A poesia vive em minha vida e o lirismo me protege. Protège-moi.

"Pablo Neruda deve ter escrito algum poema para a tua imensurável beleza, Mayra".

Dormi feliz. E hoje, aniversário do Rodrigo, quem ganhou o presente fui eu. Ele me escreveu um Hai kai:


"És a mais formosa, posso e vou te escrever um poema! Deixo-te um haicai de presente:

Hai Kai de Mayra

Fuga entorpecida,
... com beleza incalculável
de pureza e sal
(Rodrigo B.)"

Posso sorrir todo o dia.

Jantando em companhia. Própria.

Eu viajo só. Completamente natural. E, quando viaja-se só, tudo o que fazes é, o que? Só! Inclusive sair pra jantar sozinha.

Quando fui à Atenas, tive a sorte de ficar no melhor hotel da cidade por trabalhar na mesma cadeia e pagar quase nada por uma suite absurda. E com isso, tive o serviço de mordomo. Logo, ele me indicou um restaurante super funky, trendy, cool da cidade.

Chegando ao local, me vi com duas opções: Me fazer de cool e esquecer toda a vergonha de chegar sozinha, ou então, assumir logo todo o embaraço que chegar sozinha num lugar lotado traz e falar: antes de mais nada, me traz um drink pra apaziguar essa vermelhidão nessas bochechas enormes que tenho? 

Mas preciso informar que o rosado no rosto é fruto de algum tempo sem viajar sozinha ou então de marinheiros de primeira viagem.  Depois da quarta saída pra jantar sozinha tudo vira festa. Já chegas rindo e premeditando situações. Funny, at least.

Antes de sair do hotel, perguntei ao Buttler sobre um tal bairro e ele me disse: You won't like this place. It's heavy, old and a lot of greek dancing. Only Greek music. Eu disse. Mas é a inserção na cultura que quero! No momento não sei se ele teve algum "pré-conceito" contra mim, tipo: essa índia cheia de pena nas orelha não vai curtir o clima local.

Fui direto ao restaurante que ele me indicou, em Gazi. "For sure you'll like it. It's trendy!". Tsc tsc. 

Chegando ao Mamaca's; senta fora; dentro? Onde é melhor? Tás sozinha? Sim, estou. Ahhh! Uma pessoa só?!?

Silencio. 

As pessoas ainda sentem um desconforto muito grande quando eu falo que viajo sozinha. Só elas, porque eu, sinceramente, adoro. Depois da primeira vez, vira vício. Um encontro com si mesmo e com tua própria essência.
Sempre digo a mim mesma que tenho que ter algum aliado quando saio pra jantar só e não me sentir desconfortável com tantos olhares de pena ou até de curiosidade alheia. O jantar pode te inibir. Não a comida em si, mas o ambiente em que estás. Ainda mais se for numa cidade que acabas de chegar e que nem falas o idioma deles. 

Há pessoas que já possuem um aliado intrínseco: a observação. Os observadores não precisam de mais nada. É tão natural observar que o olhar vira a tua melhor companhia. Minha melhor companhia é outra; ou melhor, são outras: o papel e a caneta. Escrever e, assim, descrever, me comove. E me sinto totalmente à vontade com a caneta na mão. 

Eu admito que para os outros deve ser um tanto estranho ver uma mulher chegando a um restaurante com sua caderneta na mão. E bem vestida, arrumada - e digo isso do fundo do coração porque capricho em cada detalhe antes de sair, afinal, estou indo para um encontro com a pessoa mais importante da minha vida: eu!

E alternando, claro, entre a observadora e a iniciante a escritora. Escrevo: Observo. Escrevo mais. Deixo a caneta de lado. Observo as gentes passearem, olharem. Serem. 

E nesse observa-escreve, converso comigo mesma com palavras escritas à meia-luz; aproveito cada segundo do jantar e aprecio as horas que dediquei à mim. 








sexta-feira, janeiro 28, 2011

E num 1º de novembro de 2010.

E quem diria que 2010 ia dar nisso?

Mesmice e falta de mudanças foram coisas de que não pude reclamar nesse ano. Cambios. Changements. Saindo lá. Chegando pra cá!

E muda. Muda de cidade, de país. De status. Muda de casa. Muda de emprego. É um casa, separa. Muda de casa pela última vez. Mas muito, o que muda muito, é dentro.

1º de novembro e acabei de pisar na casa nova. Nunca imaginei um ano assim. Aliás, imaginei tudo, menos isso. Sem reclamações, por favor. Ao revés, estou adorando.

É novo, é nova fase. Busca. Entendimento. Conhecimento. Autoconhecimento.

Eu cresci? Com o mesmo jeito de moleca e cara de sapeca, eu cresci.

Cada vez mais me reconheço em mim. Mais Mayra, cada vez mais Mayra. Sinto a energia voltar, sinto o sangue correr. Sinto aquela felicidade clandestina me inundar de novo. Clandestina? Sim! Só eu sei o sentimento que ela me traz. Uma gargalhada rosa interna; muito amor em me ser.

sábado, dezembro 18, 2010

Como viver num mundo de parcerias frouxas e eminentemente revogáveis

Zygmunt Bauman é considerado hoje um dos sociólogos mais influentes do mundo. Professor emérito de sociologia na Universidade de Leeds e na Universidade de Varsóvia, seu livro mais recente é "Amor Líquido - Sobre a Fragilidade das Relações Humanas".

A tese de Bauman é que vivemos em um mundo líquido, que detesta tudo o que é sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço. O amor, nesse mundo líquido, é amor líquido. A tirania do mercado explica em parte esta característica rarefeita de tudo. Estamos na era do homo consumens. O que caracteriza o consumismo não é acumular bens (quem o faz deve também estar preparado para suportar malas pesadas e casas atulhadas), mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para outros bens e usos.

É preciso deixar claro que Bauman não se propõe a indicar ao leitor fórmulas de como obter sucesso nas conquistas amorosas, nem como mantê-las atraentes ao longo do tempo, muito menos como preservá-las dos possíveis, e às vezes inevitáveis, desgastes no decorrer da vida a dois. Não há como assegurar conforto num encontro de amor, nem garantias de invulnerabilidade diante das apostas perdidas, nunca houve. Quem vende propostas de baixo risco são comerciantes de mercadorias falsificadas.


Estar excluído da sociedade de consumo equivale a ser um fracassado, um incompetente. Um consumidor falho fica se utilizando dos mesmos bens, e a utilização repetida o priva da possibilidade de sensações novas e inéditas. Isso os leva ao tédio e à frustração. Ser bem sucedido é conviver com novidades, variedades, e rotatividade.

Daí surge a cultura do aluguel e do descartável (e por isso mesmo mais barato). Nesta sociedade líquida, você não compra, aluga. Comprar implica posse e permanência. Alugar implica rotatividade sem ônus. O descartável pode ser facilmente substituído sem muito prejuízo: vale a relação custo benefício, ou tempo de benefício. No mercado, tudo está ao alcance do cartão de crédito, e a distância entre o desejo e sua satisfação está cada vez mais curta. E, portanto, o descarte cada vez mais rápido. A experiência sexual e relacional segue o mesmo padrão e raciocínio. Seu parceiro pode abandonar você a qualquer momento, sem o seu consentimento.

Anthonny Giddens, outro célebre analista da chamada pós-modernidade, fala dos "relacionamentos puros", onde as relações permanecem enquanto satisfazem as partes. São relacionamentos nos quais se entra apenas pelo que cada um pode ganhar e se permanece apenas enquanto ambas as partes imaginem que estão proporcionando a cada uma satisfações suficientes para permanecerem nas relações. Viver juntos é "por causa de" e não "a fim de". Enquanto há razões a parceria permanece. Os parceiros já não se enxergam como construtores de si mesmos, um do outro e da própria parceria.

Parcerias frouxas e eminentemente revogáveis substituíram o modelo da união pessoal "até que a morte nos separe". Bauman chama isso de "relacionamentos de bolso", que compara com vitamina C: em grandes doses podem causar náuseas e prejudicar a saúde. Por esta razão, a "sociedade líquida" prefere os relacionamentos diluídos, para que possam ser aproveitados. Os compromissos intensos e de longo prazo são uma armadilha a ser evitada. O compromisso fecha a porta para novas possibilidades (quem sabe, até melhores). Mantenha sempre sua porta aberta, dizem os "especialistas".

Viver juntos foi substituído por ficar juntos. A convivência foi substituída pelos encontros episódicos. O casamento foi substituído pela sucessão de romances com sexo. O divórcio foi substituído pelos CSS - casais semi separados. As amizades foram substituídas pelas salas de chat e as redes, onde se pode conectar e desconectar sem qualquer compromisso, promovendo relações fantasiosas ou profundas protegidas pelo anonimato. Ralph Waldo Emerson acertou ao afirmar que "quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar desforra na quantidade".

Na compulsão de tentar novamente, e obcecado em evitar que a atual experiência sabote a futura, ou sempre em expectativa de que o melhor está por vir e que há sempre algo melhor pelo que esperar, as pessoas acabam desaprendendo o amor, tornam-se incapazes de amar. A sensação de que se pode ser abandonado, substituído a qualquer momento impede a entrega total, e porque não se entrega totalmente, o amante parcial vive com a constante sensação de que está vivendo um equívoco, ou que está esquecendo algo, ou deixando de experimentar alguma coisa. Isso faz com que o amante parcial viva carregado de ansiedade. E, pior do que isso, está condenado a permanecer para sempre incompleto e irrealizado. Bauman diz a respeito que estão "numa viagem nunca termina, o itinerário é recomposto em cada estação, e o destino final é sempre desconhecido".

segunda-feira, novembro 15, 2010

As pessoas discutem futebol como se fosse vida. Discutem sambinha e bola como se fosse política. E é nessa hora que eu sinto "dissabor", mas também conforto.

Quem fala assim de futebol como de política nunca deve ser levado a sério.

E aí? Vamos sambar?

quinta-feira, novembro 11, 2010

Tá falando grego? Parte I



Tá falando GREGO?

A história de vir logo pra Grécia, antes do verão do ano que vem, junto com as ilhas gregas foi mais pelo preço da passagem da vueling que por outra coisa. Eu estava mais para o lado de Budapeste, Marrakech ou Istambul.

Mas é óbvio que desde o início tudo já me seduziu. Tudo bem! Atenas significa o início de uma civilização, as cidades-estado estudadas no colégio, a mitologia grega, os filósofos adorados, as esculturas exaltando a beleza em todos os pontos, os deuses, o legado, a arte, os mais de 3000 anos A.C quando se tem evidencia dos primeiros assentamentos perto da Acrópolis, entre muitas outras coisas e, claro, o que sempre me vem à cabeça: onde nasceu a democracia quando Sólon promulga sua primeira constituição e estabelece o conselho dos 400.

Como não amar a ideia de chegar aqui? Na hora!

É isso: uma confusão de informação e conhecimento! Atenas é, ao mesmo tempo, uma remetedura ao passado antes de Cristo até os escândalos políticos ou ainda a avassaladora crise depois de Cristo que foi mesmo 2009/2010.

Confissão antes de começar a escrever: Trabalho para os hotéis Starwood e tenho o direito a uma tarifa MAIS QUE ESPECIAL em todos os hotéis da rede, upon availability. O melhor hotel de Atenas faz parte da nossa rede, um hotel 5 estrelas super bem localizado, com os melhores serviços e toda uma chiqueza que não estou acostumada! Tratamento totalmente VIP. OH, God! E eu vim sozinha! hahaha!

Cheguei no hotel e logo sair pra ver a cidade se mexer. Levei um mapa que não me serviu pra muita coisa. Me perdi inúmeras vezes (menos que em Veneza), mas não vi nenhum problema nisso. Já estava escuro, de noite e de vários pontos da cidade se vê a Acrópolis iluminada. Andei por várias ruas e fiquei impressionada com a quantidade de restaurantes. Um do lado do outro, cheios de gente. E não em uma rua só, em várias. Lindo! Mas eu buscava algo menos turístico, queria alguma "taberna" grega bem particular e com atenienses, e não turistas.

Essas perdidas valeram a pena e aviso: em quase todos esses restaurantes que passei na frente, nas ruas lotadas, te abordam absurdamente pra que sentes e comas ali, mas odeio isso e, ainda bem, passei adiante. A taberna que encontrei ficava no alto de uma coleirinha, tocando música grega e com mesas dentro e fora. Muito charmosa e com um garçom muito simpático que falava um pouco de cada língua, como ele mesmo disse, e depois ainda afirmou : Posso falar um pouco de cada uma dessas, mas a melhor língua de todas é a do olhar.

Encontrei franceses que vem várias vezes por ano há 35 anos e me disseram que encontrei um óptimo lugar, de boa qualidade e não turístico. Do jeito que eu queria! E eu ainda disse: "Je me suis perdue plusieurs fios aujourd'hui… ça a été genial, mais, j'étais déjà fatigue!" e a senhora: "C'est comme ça qu'on découvre la ville". Oui, je sais bien ;) (Eu me perdi diversas vezes hoje! Foi genial, mais eu ja estava cansada" - Mas é dessa maneira que descobrimos a cidade!

E é isso mesmo. Perdendo nos encontramos. E isso eu aprendi em Veneza e nas maravilhas que encontrei em cada esquina no meio das minhas perdidas!

A realidade é que essas minhas primeiras horas na Grécia me fizeram pensar absurdamente em filosofia, historia e mitologia, mas num dos deuses em especial nessa taberna: Dionisio! Traz o vinho!!!